Superabundantia
Subi pra cima num passo torto,
fingi ter norte, fingi de morto.
Desci pra baixo, busquei razão,
achei descaso, perdi a mão.
Entrei pra dentro com fé no verbo,
tudo tão claro… mas meio acerbo.
Saí pra fora num grito mudo,
conviver junto? Já deu de tudo.
Mais melhor era o nosso afeto,
todo enrolado, mas tão direto.
Repeti novamente a tal verdade:
certeza absoluta é só vaidade.
E o elo de ligação, tão forte,
virou ruído, virou transporte
de frase feita, de pensamento
que só caminha quando está lento.
E assim, com rima meio à toa,
a lógica cai, a língua voa,
e o mundo gira como provou:
Tem, mas acabou.