terça-feira, 29 de novembro de 2016

sônia

Tenho dormido muito mal.
Está muito desconfortável aqui dentro de mim, não estou conseguindo ficar a vontade, arrumar posição.
E quando consigo, tenho medo de acordar.

sábado, 28 de maio de 2016

Efêmero

O desconforto de ser é consequência do "inconveniente de ter nascido".

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Contra o vento

“Bom dia”. Significa que trata-se de um dia bom? Ou que desejamos que assim seja?
Acordei cansado, com ânimo para assistir Tom & Jerry o dia inteiro.
O encontro marcado com 26 adolescentes (depois outros 25...) e a presença (existência) da família, me deram coragem para mais um dia.
Ao mesmo tempo, sem astral para correria. Lembrei-me da França (não o país, a [B] atriz), e fiz o ritual matinal com atenção, desde o cagão antes do banho, até o cigarro/café depois de um bom desjejum. Talvez hajam outros muitos, talvez não (toc toc toc, isola!)...
Com essa calmaria quase irresponsável, meus planos de deixar a magrela acorrentada na garagem, descansar os tímidos*  e ler o Charlie no metrô ficaram para quarta-feira que vem. Pedalar era a única opção para talvez conseguir chegar na hora. Para simplesmente talvez chegar, é mais complicado: são inúmeras as opções.
Normalmente, mesmo sem o descanso e a leitura do jornal - que é semanal -, costumam ser 12 quilômetros de pedal agradáveis, pela beira do canal... mas hoje, particularmente, o vento se mostrava agitado, agressivo, endiabrado, soprando com força na direção nordeste. Para talvez chegar sem atraso ao palco (matinê com Féssaut), tenho que pedalar na direção sudoeste! E como talvez já vale à pena...
Estava, confesso, difícil sair do lugar. A força do vento intimidava os tímidos, que, apesar de tímidos, já se mostraram eficientes. Sozinho na ciclovia, cheguei a achar, por um lapso, que ele - o vento - estava zangado comigo, que seu objetivo era me impedir de avançar. Quanta pretensão! Lembrava da França (não o país, a [B] atriz), e continuava pedalando, para, talvez, chegar, talvez, menos atrasado.
O vento, que não conseguia impedir-me de avançar, resolveu tentar me derrubar. Rajadas violentas desviavam-me por segundos do meu caminho, já longe de onde eu havia partido. As lágrimas confundiam-se com o suor e escorriam até os cantos (com espuminha branca) da boca, fazendo-me sentir, literalmente, o gostinho do esforço, da dor.
Cheguei 5 minutos atrasado. É melhor eu me apressar: ainda tem o caminho da volta! O vento acalmou, mas parece que vai chover. Talvez não...
07 de outubro de 2015.

*músculos

terça-feira, 19 de maio de 2015

"Carta Aberta"

Bondy, 18 de maio de 2015

“Senhor, sois justo e misericordioso. Afastai de nós, tudo que esteja nos prejudicando e retardando”.

Trecho de uma oração que minha falecida mãe costumava fazer para mim e meus irmãos na hora de dormir, depois de entoar belas canções. Não durou muito tempo, pois ainda pequeno, por volta dos 10 anos, deixei de acreditar em muitas coisas para dar espaço às minhas descobertas e desenvolver minhas próprias crenças. Já não havia lugar para as orações.

Gostaria de poder te falar tudo isso pessoalmente e dar-te um forte abraço, mas você mora muito longe, não tenho condições, e o Dr. Spock até hoje não me emprestou o teletransportador dele... vai ter que ser por carta, e como pelos correios demora muito, vai por aqui mesmo.

Durante muito tempo cultivei mágoas e até um certo rancor, mas nunca pelo fato de você ter “tomado rumo”. Lembro-me muito bem de tentar consolar minha mãe – ela bem mais velha do que eu, já tinha seus 29! – que sofria, não sozinha, pois éramos três, os filhos. Eu dizia que iríamos conseguir, que era melhor assim. E, afinal, como você me disse naquele dia, “a partir dali eu era o homem da casa”. Mas não. Eu era apenas um menino. Sim, muito esperto, mas extremamente sensível. Acabei fracassando nessa missão. Não basta astucia para assumir um papel de pai. É preciso bagagem – y otras cositas más –, que consegui acumular graças à sua ausência.

Não posso deixar de lembrar que houveram momentos bons enquanto você esteve presente. E muitos! Soltávamos papagaio, comíamos pipoca assistindo Os Trapalhões, escutávamos Os Mutantes, Santana e Led Zeppelin... e você contava umas historias malucas! Acontece que a coisa começou a desandar. O melhor a se fazer, naquelas circunstâncias, era mesmo partir. Não vejo sua ausência como um abandono. Por mais que você talvez não tenha consciência disso, acredito – ou prefiro acreditar? – que, considerando a dificuldade de estabilidade sócio-emocional que visivelmente atormentava sua existência, o que poderia pôr em risco a nossa, você optou pelo correto, que é educar e proteger seus filhos.

Hoje – e já faz um tempo – a mágoa e o rancor deram lugar à compreensão e à gratidão.

A estratégia da ausência deu certo, aliada ao espirito de leoa da minha mãe, à cultura do avô barbudo, ao suporte dos tios... e aos livros. Você pode ficar orgulhoso do seu primogênito! Depois de muita bagagem nas costas, consegui tornar-me um sujeito ordinário. É verdade que não tenho bens materiais... por enquanto nada! Mas tenho o maior tesouro do mundo, que são minha esposa e meus três filhos. Minha família. E, se esse é meu sonho mais genuíno, meu principal objetivo, é também em parte graças à sua ausência.

Você cometeu seus erros sim, mas ao meu ver você fez o melhor que pôde, da melhor forma possível.

Agora acho que é hora de dar exemplo e não deixar os três filhos e sete netos na mão. Você foi corajoso ao enfrentar todos os que não entenderam a nobreza do seu afastamento. Não seja covarde. Não merecemos mais essa na nossa bagagem que já está transbordando. Ainda quero muito te encontrar e dar aquele abraço apertado. Quem sabe no fim do ano? 

terça-feira, 5 de maio de 2015

Pa(e)nsements

Tem momentos que temos que exprimir os pensamentos.
Mas acabamos obrigados a espremê-los quase sempre.

sexta-feira, 10 de abril de 2015