Sabbatum magicum
Azul derrama-se em silêncio
sobre o parque que respira devagar.
Nada começa nem termina,
só se move.
A nana formosa ao lado sorri,
suas auréolas rebeldes
parecem reagir à vibração de Ravel
ou talvez ao feromônio que exalo…
Aloe vera gelado,
frescor vegetal que percorre por dentro
e inventa caminhos novos,
o torto num crescendo inevitável!
O ar é floral,
não por metáfora —
por simples evidência.
Sativa sopra ideias em espirais,
a grama escuta tudo,
e os corpos se permitem
uma pausa sem culpa.
Cordas em sussurro,
piano em gotas de âmbar,
harmonia em delírio solar,
a dança escapa leve,
num compasso que dissolve o tempo.
Festival de olhares,
de tempo frouxo,
e de instantes
que não pedem legenda.